"Os teus sonhos são Meus
Teus problemas são Meus
Tua vida também
É Minha vida
Eu de ti cuidarei
Nunca te deixarei
Os teus sonhos Eu realizarei
Vou te levar, te conduzir
E quando você alcançar
Saberá que em todo tempo Eu estive ao teu lado"
("Sonhos", álbum Reverência, de Chris Durán)
:Quem é essa garota?:
Priscila, 28, capixaba de olhos negros e riso solto
Concebida em Salvador, mas com alma cosmopolita
Mora sozinha no interior, fins de semana na capital
Direito no diploma, servidora estadual efetiva, Ministério Público na cabeça
Paixão por línguas; inglês é bom pro chat, alemão, pro coração
Camarão, pão de queijo e sorvete italiano são bem-vindos
39 no pé, magra sempre esbelta, loira há três anos
Dança de salão aos sábados, piano clássico por dez anos, fotografia nos planos
Terapia com psicanalista há dois anos e muita mudança depois disso
James Morrison, Jamie Cullum, Texas, Michael Bublé, Corinne Bailey Rae, Rod Stewart, Phil Collins, e o que mais a agradar
Engraçada, insegura, inteligente e fiel
Temperamental, impulsiva, mal-humorada e melancólica
Melhorar sempre é uma ordem
Deus está sempre ao seu lado
Agradece a você, que faz este blog mais feliz!
Ponto.de.Encontro
"Mais que vencedor eu sou!"
(Rom.8:37)
Sábado, Agosto 09, 2008
Viagem: Israel
Israel é um ponto à parte. Não só porque é a Terra Santa, mas porque comecei a passar mal (eu e quase todo o povo da excursão) no segundo dia lá e fiquei mal durante 4 dias. Até um médico foi chamado para me ver, cujo diagnóstico foi: virose de quem passa pelo Egito. Uma médica que fazia parte do grupo disse que duraria 7 dias. Durou 9. Ou seja, não aproveitei muito da viagem, houve um dia em que fiquei no hotel (que acabou me rendendo diversão), e em outros dias eu apenas fiquei no ônibus, porque estávamos em trânsito pelo país e não havia como ficar em hotel. Ao menos participei dos momentos mais importantes: no Getsêmani e no Jardim do Túmulo, e no dia em que fiquei no hotel todos disseram que eu não havia perdido nada, e que havia sido um tédio. Mas não fiz o passeio de barco no Mar da Galiléia, por medo de enjoar. Enfim, em Israel vi o que tinha de ver e nada mais.
Lugares que visitei (ou deveria ter visitado): Eilat (um balneário muito chique, a primeira cidade ao sul de Israel), Tiberias (onde houve o passeio no mar da Galiléia), Jericó (não desci do ônibus), Belém (não fui, mas disseram que foi um tédio, ainda mais por ser uma cidade sob controle palestino), Rio Jordão (só vi o rio, aliás, muito feio - e não era porque eu estava passando mal), Jerusalém.
Aparência: Tudo em Israel é muito limpo e organizado, e o nosso guia gostava de alardear que poderíamos sair à noite sem medo, porque era mais seguro andar em Israel à noite do que em São Paulo ou Rio de dia. Eilat é um balneário com várias lojas de grife, e tem até mesmo uma filial do Hilton Hotel (sim, o da Paris), para vocês perceberem como é a coisa. Pegamos um calor de meros 43 graus (foi o lugar mais quente que visitamos na viagem toda e olha que estivemos no Egito!), seco e insuportável, e à noite, quando saí do hotel, fiquei boquiaberta ao constatar que...o vento era quente e a situação não era muito melhor do que de dia. O ar só começou a ficar mais frio lá pelas 11 da noite, hora em que estava em um orelhão em frente ao hotel, batendo papo com meu namorando e testando a “alta segurança” de Israel, o que se comprovou: ninguém tentou me assaltar. Sobre as outras cidades não há nada a dizer, seja porque não vi, seja porque estava passando mal demais para reparar. Jerusalém é linda, linda, linda. Todas as casas são feitas de um pedra bege, o que faz com o toda a cidade tenha a mesma cor. Mas o que poderia ser monótono se torna mágico, e isso não dá para explicar.
Comida: a palavra é...pimenta do reino. Muita, moída, everywhere. Muitos desconfiaram que foi a maldita pimenta, que tem toxinas, é que fez o povo passar tão mal. Comer em Israel foi um estresse, e meu maior desejo era voltar para o Brasil para comer sem medo de passar mal. Fiquei contando os dias em que eu ainda que teria que almoçar ou jantar e procurar algo para comer que não tivesse a droga da pimenta. Por isso não dá nem para dizer nada de positivo. Eu sei é que o suco de laranja é muito ruim, e até no avião da Alitalia, que nos levou de Tel-Aviv para Roma, tinha pimenta na comida, afe.
Interessante : nadar no Mar Morto. Aliás, nadar não, porque ninguém nada no Mar Morto, nem mergulha, para não entrar água nos olhos, devido à alta salinidade da água. Somos orientados a não fazer movimentos bruscos, para não jogar água nos olhos de ninguém (o que deve arder horrores, imagino eu). A experiência inicial é meio traumática porque, ao invés de areia, o mar tem lama no fundo e pisar naquele lama é...aargh, muito, muito nojento, sem contar que há uns buracos rasos onde se pode cair enquanto se entra no mar (com o risco de cair água nos olhos e tal). O mar é escuro e feio, o que não ajuda na apresentação. Ninguém vai para o fundão, então todo mundo se banha no rasinho mesmo. E aí...só boiar. E tente abaixar uma das pernas enquanto bóia...você vai simplesmente mudar de posição e começar a boiar de lado, porque não dá para tocar o chão. E dá para boiar sentado, dá para boiar deitado...é uma diversão. Só que não se deve ficar muito tempo na água, por causa da grande concentração de sal: lembra das aulas de Biologia? Os sais do corpo vão saindo e passando para o mar: do meio menos concentrado para o mais concentrado, por osmoze, pelo que me lembro. E aí depois de uns 10 ou 15 minutos deve-se sair e tomar um chuveirada de água doce, depois entrar e ficar mais uns 10 ou 15 minutos e então sair de vez. O clima é de praia mesmo: tem quiosque, música rolando, cadeiras de praia com sombrinha na areia...e tem também banheiros com vestiários para tomar banho e mudar de roupa para continuar a viagem. Ah, sim. E não resisti e pus a pontinha do dedo na língua, para sentir o gosto, né, afinal eu fui criada na praia, de água salgada eu entendo. O resultado? É tão salgada que arde na língua como se fosse pimenta e não sal...
Pessoas: para ser sincera, sempre tive preconceito com relação aos israelenses: sempre os considerei metidos e arrogantes, mesmo sem conhecer nenhum. O que posso dizer é que encontrei pessoas muito simpáticas e outras nem tanto. Vendedores de mercado engraçados e simpáticos e outros muitíssimos grosseiros. Talvez o fato que de que o estado de Israel em si foi formado por judeus que emigraram de várias partes do mundo explique essa diversidade, não sei. Mas a minha diversão aconteceu exatamente no dia em que fiquei no hotel em Jerusalém, o Grand Court, um hotel lindo (aliás, verdade seja dita: só ficamos em hotéis incríveis – o do Egito, o Pyramid Park, era um resort cinco estrelas muito lindo) e charmoso. Eu tinha ficado o dia todo no quarto tentando me recuperar, e à tarde, cheia de tédio e me sentindo melhor, desci para me distrair um pouco. Mas como se sentia muito fraca, porque não estava comendo quase nada, decidi voltar para o quarto. Estava no hall dos elevadores quando fui abordada por um judeu todo animado, falando em hebraico. Eu não entendi bulhufas, não sabia o que ele queria e apenas disse: “English, please”. Ele pareceu não entender e eu continuei: “I don’t speak Hebrew”. Ele entendeu que eu não falava hebraico, e explicou, com um inglês pobre, que também não falava inglês. Mas aí percebi que ele estava animado demais e interessado demais em mim para desistir por conta da barreira da língua, e o rapaz continuou tentando se comunicar com o pouco de inglês que sabia, me chamando para sentar no lobby. Eu estava doida para conversar com alguém, nem que fosse um judeu que não falasse inglês e, para resumir, devo ter ficado um meia hora de papo com ele: um músico que toca piano e violão e estava doido para me mostrar sua aparelhagem no quarto (é ó-b-v-i-o que não subi para ver nada), que também é DJ, mora em Jerusalém e estava no hotel por conta do Bar Mitzvah de alguns adolescentes. Ele me mostrou o pai, a irmã (que estava sentados em outras mesas por perto, junto com outros parentes e amigos), colocou a tia (uma garotinha de uns quatro aninhos) no colo, pediu a dois garotos de uns oito anos para pegar água para mim, me deu balas, não cansava de dizer que eu era linda e tinha um sorriso lindo (fiquei toda boba, porque eu estava sem maquiagem alguma, uma verdadeira convalescente de olheiras que começava a dar os primeiros risos depois de dois dias sem sorrir, de tão mal que fiquei (e isso é verdade)), me convidou para dar uma volta de carro pela cidade (não aceitei), disse que eu que eu era uma boa garota quando eu falei que não ia à discotecas ou bebia álcool, perguntou a amigos do grupo palavras em inglês para falar comigo, traduziu o que uma pessoa do grupo disse para ele, que nós formávamos um ótimo casal, e etc etc. Ele usava o kippah, um kipazinho branco e azul prendido com um tic-tac, mas bebia álcool, o que me fez pensar que ele não deviar ser lá muito religioso. Tinha olhos azuis, o nariz típico de judeu e um sorrisão bonito, aberto, de gengiva aparente, pura simpatia. Mas depois de meia hora eu já estava meio de saco cheio daquele papo furado e disse que precisava subir. Ele disse que queria me ver de novo, e eu falei que ia descer daí a uma hora, às sete, para o jantar. Ele beijou minha mão, respeitosamente, e eu me despedi. Contei à minha colega de quarto que precisava me livrar o bendito judeu, e percebi que tinha dito o horário errado: o jantar não era às sete, era às sete e meia. Fui jantar e não o vi. Aliás, só o vi mais tarde, quando estava no telefone com meu namorado: percebi um vulto branco por perto e quando olhei, era ele, que acenou para mim com um arzinho amigável, mas também sério e enigmático. Acho que ele pegou o elevador para o estacionamento (deve ter ido pegar o carro para ir à boate) e não o vi mais. Eldal era seu nome. Vai se lembrar de mim como a brasileira que ele não pegou hihihi. Mas ele era legal, um rapaz simpático.
Nosso guia: Moshe, um judeu com um sotaque horroroso cujo português me irritava: muitas vezes não era possível entender o sentido das frases que ele dizia, e como é que se pode ter um guia cuja fala não se entende direito? Além disso, ele era arrogante e parecia não se sentir muito à vontade liderando um grupo de cristãos. Muitas vezes o pastor pedia a palavra para corrigir informações que ele tinha dito, que poderiam confundir os novos convertidos do grupo, e também para afirmar as verdades da fé cristã, como na ocasião em que visitamos o Jardim do Tumulo e o guia disse que Jesus estava sepultado ali. O pastor logo corrigiu, dizendo que Jesus não estava sepultado, porque tinha ressuscitado e nós críamos nisso. A verdade é que parece que os judeus não têm muita fé naquilo que crêem, e para um deles, ver um grupo que pessoas que acredita em um homem que eles rejeitaram deve ser meio perturbador. No culto que realizamos no Jardim do Túmulo, ele ficou de longe, olhando com ar emburrado. Nosso guia no Egito, Mustafá, nos olhava com ar distraído, meio sem se importar com nossa manifestação de fé, como se estivesse muito firme da confiança em seu Alah. Mas Moshe...não sei, ele não parecia gostar muito do que via. Aliás, eu fiz um pergunta a ele que me deu impressão que os judeus têm dúvida a respeito do que crêem: eu perguntei que tipo de Messias eles esperavam se um líder religioso ou militar. Ele disse que não sabia. Eu questionei: “Vocês não sabem?” E ele respondeu, na defensiva: “Você sabe?” Para ser educada, apenas disse: “Quem é que sabe, não é?” e ele, acho que meio sem graça ao ver minha reação “fina”, apenas reafirmou que o Messias podia ser um líder religioso ou militar, ninguém sabia. Ora bolas, como eles podem esperar por alguém que eles nem sabem o que é?
Ponto negativo: entrar e sair de Israel. Ter que abrir sua mala na frente de um estranho que acha que você pode ter explosivos parece a coisa mais bizarra do mundo, e é. Mas quando se trata de Israel, isso é absolutamente comum. O mais engraçado é que, ao entrar, fui considerada suspeita. Colaram um etiqueta amarela no meu passaporte (que foi retido enquanto me pediam para abrir uma das malas), fui interrogada a respeito de equipamentos eletrônicos e tive que mostrar a câmera fotográfica, depois a oficial passou uma coisinhas no meu passaporte e fez um teste em um máquina para então me liberar. Já na saída, fui considerada fora de qualquer suspeita. Colaram um outra etiqueta no meu passaporte que me deu livre acesso e uma oficial da segurança até me pediu para traduzir duas perguntas em português para uma senhora do nosso grupo que não falava inglês. Aliás, a moça, ao me ver falando, me olhou de um jeito como se traduzir duas frases do inglês do português fosse a coisa mais fantástica do mundo, sei lá porquê. E ainda me explicou o porquê de querer saber se havíamos recebidos presentes em Israel: tinha receio que tivéssemos recebido algum explosivo, sem sabermos. Ainda pediram para abrir minha mala, tive que responder o que eram certas coisas embrulhadas (para eles terem certeza de que eu tinha comprado e não ganhado), mas saí sem a sensação ruim que senti quando entrei: de que desconfiavam de mim. Ainda fiquei me “achando” por ter ajudado a segurança de Israel: afinal, a oficial de segurança confiou em mim ao ponto de me pedir para traduzir as perguntas – normalmente, eles mostrariam um papel com perguntas em português para senhora, que deveria responder com “sim” ou “não” (eles não aceitam que uma pessoa responda qualquer pergunta em nome de outra, e na nossa entrada em Israel, uma oficial chegou a ser grosseira com integrantes do grupo que queriam ajudar uma pessoa, que não sabia inglês, a responder). Ou seja, fui considerada tão fora de suspeita que até pediram meu auxílio. No final da contas, posso dizer que já colaborei com a segurança do Estado de Israel hohoho.
Ponto alto: visitar o Getsêmani, que significa “lugar onde são moídas as olivas”, e foi o lugar onde Jesus suou gotas de sangue. O jardim é cheio de oliveiras antiqüíssimas que estavam lá há doil mil anos atrás e presenciaram o sofrimento do Salvador. A sensação, ao entrar, é que elas estão vivas e olhando para você. Mas ainda: ao olhar para elas, parece que elas estão chorando. Parece que o sofrimento ficou impregnado no lugar, é meio sinistro, estranho. Falando assim, parece que eu estava “querendo sentir” coisas, mas, ao contrário, todos os lugares que visitei em Israel eu fui bem cética, sem desejar “sentir” nada. Tanto que não senti nada no Jardim do Túmulo, ou no Túmulo de Davi, ou no Sinédrio. Mas ali...é esquisito mesmo. Até nas fotos dá para perceber. Parece que o tempo parou para aquelas oliveiras, parece que elas ainda vivem aquele momento, aquela noite, aquele dia. Simplesmente não dá para explicar. Assim, como também não consigo explicar porque me emocionei quando vi Jerusalém de longe. Nosso guia disse: “Olha lá Jerusalém!” e quando olhei e vi as montanhas com as construções de cor bege, tudo me pareceu tão lindo e harmonioso, tão belo e pacífico...não sei, mas eu me emocionei. E quando olhei para Moshe, ele estava sentado e tinha os braços arqueados e erguidos, reverenciando a cidade, que surgia com seus pequenos prédios ao longe. Acho que só nesse momento percebi que eu estive o tempo todo desejando chegar em Jerusalém, cidade em que só entramos na última parte da viagem. E enquanto entrávamos, eu me emocionei ainda mais, porque...sei lá, porque só então senti que estava ali, na Cidade Santa, a cidade adorada por cristãos, muçulmanos e judeus. Mesmo Eldal, que mora em Jerusalém, me disse a certo ponto da conversa: “Eu amo Jerusalém”. E o semblante dele mudou a dizer isso, era algo sério e apaixonante para ele. Eu ouvi falar de Jerusalém desde criança, há um hino cristão que reverencia a cidade. E Jerusalém é mágica. É como uma cidade qualquer, tem muros pichados, lugares bonitos e outros nem tanto...mas é Jerusalem. E só o fato de ser Jerusalém já a faz importante. Mas explicar porque me emocionei...sei lá. Não dá para explicar. É uma dessas coisas mágicas que não fazem sentido algum, você só sente, mas não sabe expressar.
Pois é, eu voltei. Ainda estou meio ‘desfusada’ ou ‘desparafusada’, como diz meu namorando, já que nos primeiros dias à sete e meia da noite eu já estava caindo de sono, e às duas da manhã acordava como se fossem oito. Agora já estou entrando nos eixos, embora me sinta meio aérea e toda vez que passo por alguém na rua conversando, acho que a pessoa está falando em alguma língua ininteligível (grego, árabe ou hebraico). Mas o pior mesmo foi no dia em que cheguei, quando o taxista pediu o dinheiro do pedágio e eu, que não tinha entendido, quase disse: “Sorry?”. Afe.
Pois bem, passemos ao que interessa. Resumée da viagem. Por partes, como Jack.
::Grécia::
Lugares que visitei: Atenas (incluindo a Acrópolis, o Museu de Atenas, o bairro de Plaka), as ilhas de Poros, Hydra e Aegina, e as ruínas de Corinto antiga.
Aparência: Atenas é linda, e é ainda mais linda vista lá de cima, da Acrópolis. É uma cidade acolhedora, que faz com que você se sinta em casa, ainda que os gregos sejam grosseirões como os italianos. Mas dá vontade de morar lá ainda que você não fale grego e não entenda o que as placas dizem, porque a maioria dos gregos fala inglês, então dá para se virar legal, como eu me virei. As ilhas de Poros, Hydra e Aegina não parecem reais, parecem um lugar de sonho, de tão pitorescas, e tão perfeitas, e tão ensolaradas e etc e etc.
Comida: achei que só os japoneses comessem peixe cru, mas me serviram salmão cru em duas ocasiões, então deve ser uma comida típica. Até comi um pouco, mas é meio enjoativo e larguei no prato. Eles comem também muito carneiro, mas o carneiro com molho mostarda é também é enjoativo, e eles costumam temperar a salada com alguma coisa que tem um cheiro horrível e um gosto pior ainda. Mas comi mussaka, que é o prato típico, feito com carne moída (de carneiro, obviamente) e uns temperos interessantes.
Interessante: a troca da guarda, com toda uma coreográfica bem bizarra, em frente ao Palácio do Governo; o bairro de Plaka, que tem uns lugares legais para comer, e é muito freqüentado à noite. Foi ali que comprei umas luminárias feitas de metal por uma artesã de rua. Eram lindas, todas decoradas com técnica de pontilhismo, e eu fiquei com pena da moça. Gastei 20 euros em duas luminárias pequeninas, uma loucura. Mas duvido que alguém no Brasil tenha algo igual. São únicas, então valem o preço.
Pessoas: não encontrei nenhum grego bonito, sério. São todos bem normais, e até feinhos. Têm um jeito meio grosseirão...são impacientes, respondões...tivemos problema com um garçom do hotel que não parava de reclamar porque havíamos marcado o jantar para as sete mas só começamos a aparecer às sete e meia (horário brasileiro, né, gente). O grego falava alto e gesticulava, devia estar nos xingando por conta do atraso. Mas ainda assim são simpáticos, acessíveis. Até fiz amizade com um senhor, um dos recepcionistas, que deve ter pensado que eu e minha colega de quarto éramos tapadas: reclamamos do ar condicionado que não funcionava, dois funcionários (um deles, um verdadeiro grego, aiiii) foram ver, não tinha nada errado, nós é que não soubemos ligar o aparelho hohoho. Minutos depois de os dois terem ido, o senhor ligou, perguntando, em espanhol, se estava tudo bem. Eu respondi que sim, e no dia seguinte, ao passar pela recepção, ele perguntou a mesma coisa, com ar sapeca, só para mexer comigo. No dia de ir embora, é claro que me despedi dele, mas como era cedo, ele disse que eu podia esperar e me despedir às dez, hora em que o ônibus nos levaria ao aeroporto. No horário de saída, voltei para me despedir, ele me desejou boa viagem e disse que eu ia voltar. Depois, quando passei novamente pela recepção, ele piscou o olho para mim, em cumplicidade. Uma simpatia. Pena que nem mesmo soube seu nome.
Nosso guia: Olga, uma senhora grega muito simpática com uma risada engraçada, que logo se enturmou como nosso tour conductor, a ponto de pedir: “Fernandinho, Olguinha está com sede...” Risadas do grupo todo, claro.
Ponto negativo: eu me apaixonei pelo que vi na Grécia, então só tenho a reclamar da comida. Salmão cru e carneiro com molho de mostarda, nem pensar.
Ponto alto: Acrópolis, a cidade antiga. Os edifícios são de um beleza indescritível, e dá vontade de sentar ali, debaixo de uma sombra, e ficar admirando a grandiosidade e perfeição da arquitetura grega antiga: o Partenon, em honra à deusa Atena, e o templo e o teatro em honra a Dionísio. Sem contar a vista maravilhosa que se tem de Atenas lá de cima. Apaixonante.
Momento mágico: o barco em que fizemos o cruzeiro pelas ilhas gregas estava voltando para Atenas. Eu e outros turistas estávamos no terraço. Era fim de tarde, mas ainda estava bastante iluminado, o céu claro, o mar brilhante. De repente, surgiram umas gaivotas que ficaram acompanhando o barco. Era lindo vê-las planando no ar, as perninhas estendidas para trás, as asas abertas, livres, soltas. Então um turista (que imagino era um francês), começou a jogar coisinhas para elas comerem. Pois as aves pegavam tudo no ar, e só um alimento se perdeu. Todos se maravilharam e riam da cena, porque era lindo ver aquilo. Para os que estavam no terraço, aquele momento encerrou com chave de ouro o dia bonito que tivemos.
::Egito::
Lugares que visitei: Cairo (as pirâmides, a esfinge), Mênfis (a esfinge de Mênfis, o colosso), Hard Rock Cafe, a pirâmide escalonada e uma mastava, o Museu do Cairo, o deserto do Sinai, o monte Sinai.
Aparência: o Cairo, à primeira vista, é muito, muito feio. Os prédios são todos de tijolo aparente, o que faz com que a cidade tenha a aparência de uma favelão. Mesmo os bairros chiques, onde o metro quadradro custa 500 dólares, só têm prédios assim. Nosso guia explicou o motivo: como não chove, não há perigo de infiltração de água no tijolos, e se o prédio recebe um revestimento externo, o imposto fica mais caro e o edifício não pode ser mais modificado. O grande problema, na verdade, é que o Cairo cresceu de uma maneira desgovernada, e o governo não fez nada para impedir. Assim, as rodovias, que é onde nós passamos, têm como vista somente os prédios feios mais recentes, mas o miolinho do Cairo, a parte islâmica em torno do qual a cidade foi crescendo, é bonita. Mas eu só descobri isso conversando com o nosso guia, o egípcio Mustafa. Ele tinha me perguntando o que eu tinha achado do Cairo, eu fiquei sem graça de responder, então ele disse, com seu sotaque bonito: “Pode dizer, é feio mesmo”. E então me explicou o que acabei de relatar. E eu confessei que quando cheguei, esperava ver a parte islâmica do Cairo, e tomei um choque ao ver os prédios tão feios. A verdade é que só vi a parte bonita quando visitamos o mercado de Al-Khalili e, depois, de ônibus, voltando do mercado. A parte bonita tem seu charme, com os prédios antigos e a rua principal de comércio da cidade. A verdade é que o Cairo é mais uma das grandes cidades problemáticas do mundo, com o crescimento desordenado e a pobreza (que não vimos, mas deu para perceber pela quantidade de gente vendendo bugingangas em todos os lugares que visitamos. Os vendedores chegam a ser agressivos na abordagem, o que dá bastante medo). O crescimento desordenado é perceptível mesmo com relação ao ponto turístico mas importante, as pirâmides, quase engolidas pela cidade. O guia nos contou que, quando era criança, morava a 20 quilômetros de distância do Cairo, e quando chegava, via de longe as pirâmides. Hoje em dia o que se vê é só a pontinha da pirâmide mais alta. A vista foi toda escondida pelos prédios. O guia fala da feiúra do Cairo com uma emoção cheia de tristeza, que dá um aperto no coração de quem o ouve. Dá para perceber que ele é apaixonado pela cidade, pelo Egito e sua história, e ver a cidade, antes bela, agora feia, é algo que o revolta.
Comida: kafta, um tipo de enroladinho de carne de carneiro, é a comida típica, que é saborosa. Não dá para se aproveitar muito a comida no Egito, porque somos alertados a não comer nada cru e a não beber sucos, por conta do risco de contaminação. Então comer acaba sendo algo meio tenso. E, depois, acho que comemos mais “comida para turista” do que comida típica. Ah, sim, tem os doces. Mas eu detestei quase todos, com exceção de um feito de coco. O resto me deu saudade de comer um belo bolo de chocolate e chocolate em barra, sério.
Pessoas: os egípcios são simpáticos e brincalhões e não podem ver uma mulher. Eles abordam mesmo, são descarados. Isso pode ser um problema se a mulher é comprometida e está viajando como o companheiro, mas pode também ser uma diversão se está sozinha. Eu me diverti horrorores, sério. No mercado de Al-Khalili, onde pechinchar é a regra, acho que as mulheres se dão melhor se forem atraentes, espertas e souberem regatear. Para os egípcios, a pechincha faz parte da cultura do comércio e se uma mulher o faz, a coisa acaba sendo bem engraçada e divertida. Eu consegui comprar uma bolsa de viagem de 120 por 35 dolares. O vendedor, um rapaz forte e bonito, não me cantou, pelo contrário, ficou bem sério o tempo todo, e me vendeu a bolsa emburrado, certo de que deixou de lucrar muito. Mas quando eu voltava do passeio pelo mercado, ele, ao me ver, não resistiu e gritou: “Brazil! Obrigado!” Também comprei um espelhinho de 35 por 10 dolares. Quando senhor disse o preço, eu disse: “I give you ten”. Ele tentou me vender por 20, 15, 12 mas eu repetia sem parar, brincando: “Ten, ten, ten, ten” o que fez um rapaz que estava dentro na loja me observar, encantado, rindo. O senhor acabou me vendendo por 10, emburrrado, claro. Antes de sair, ainda dei um adeus ao rapaz, entrando no jogo dos egpícios. E enquanto caminhava pelo mercado, acompanhada do dono do agência e do nosso tour conductor, eu ria, ria, ria de tudo, e os vendedores me olhavam e me cortejavam, porque eles simplesmente não podem ver uma mulher. E essa coisa está tão impregnada na cultura deles, que até meninos adolescentes, de 12, 13 anos, cortejam um mulher se a vêem. Passear por Al-Khalili (acompanhada de algum homem, claro, porque sozinha é um perigo - desde que esse homem não seja seu namorado hohoho) é uma massagem no ego de qualquer mulher.
Cortejadores mais próximos: Jacob, um comerciante cristão de uma loja do hotel, que foi muito simpático e atencioso e me chamou “hermana”, por ser eu também cristã, e Mudi, um dos funcionários da agência local. Outro funcionário da agência, Mohammed, um baixinho feinho, mas muito simpático, que dizia que ia casar com uma brasileira e no último dia vestiu camisa do nosso time de futebol, cortejou minha colega de quarto. É claro que é tudo uma grande brincadeira, e a cada excursão, seguindo o espírito egípcio, eles cortejam as meninas mais atraentes, mantendo uma paixão platônica que dura só o tempo da excursão.
Interessante: pechinchar no mercado, claro! Qualquer pessoa que goste do tal “desconto à vista” e saiba inglês pode ser dar bem em Al-Khalili ou em qualquer outro mercado do Cairo. Minha dica: ofereça o preço que você acha que a peça vale e mantenha firme a proposta. Se você for mulher, vale usar do seu charme também hahahaha.
Nosso guia: Mustafa, um egípcio formado em História, que nos maravilhou com seu conhecimento e inteligência, e nos encantou com seu carisma e seu sorriso bonito. Ele já sabia italiano e espanhol antes de aprender o português, e fala a nossa língua com uma oralidade e fluência surpreendentes. Foi fácil perceber que, para ele, ser guia não é só mostrar o lugar, ser guia é ser professor, é ensinar, e por isso ele exigia atenção total dos seus “alunos” e ralhava com aqueles que conversavam durante a “aula”. Acabamos percebendo isso e ficávamos quietinhos a cada explanação, prestando bastante atenção e bebendo tudo o que ele dizia. Foi fácil também perceber a paixão que ele tem pelo Cairo, pelo Egito e sua cultura e história fantásticas. Aliás, essa paixão, aliada ao seu carisma e simpatia, é outro traço encantador de Mustafa. Pudemos também saber que ele é um muçulmano que segue as regras (estávamos no mercado, e ele se despediu para entrar numa loja em que muçulmanos rezavam), e, contrariando o espírito egípcio, mostrou-se muito sério quanto às mulheres do grupo, até mesmo reclamou quando minha colega de quarto quis tirar um foto com ele: “Você está me agarrando”, e abriu um sorrisão para tirar foto com uma mulher casada e sua mãe, mas ficou de cara fechada ao tirar foto comigo, acho que pelo fato de eu ser solteira e estar sozinha. Se há um egípcio sério, esse é Mustafa.
Ponto negativo: os vendedores de bugingangas que estão em TODOS, TODOS os pontos turísticos, inclusive, pasmem, no Sinai. Só que, nesse caso, não são vendedores. São beduínos oferecendo camelos durante TODA a subida, e na descida também. Eu não agüentava mais ouvi-los perguntar: “Camel? Good camel?” e minha vontade era, do meio do meu cansaço e fadiga, empurrar beduíno e camelo lá de cima.
Ponto alto: o deserto do Sinai, uma das “pérolas dos desertos do mundo”, só perdendo em beleza para o deserto do Atacama, no Chile, segundo nosso guia. É, em verdade, um deserto rochoso e belíssimo. E a vista do topo do Sinai ( 2.400 metros que eu só consegui subir com a ajuda de Deus, tenho certeza disso) é um esplendor. Mas prepare-se para a descida: as pedras escorregadias tornam descer mais complicado que subir, na minha opinião. Mas vale a pena sair de madrugada e caminhar durante mais de três horas para ver o sol nascer lá de cima, principalmente se é o dia do seu 29º aniversário, e as pessoas do grupo cantam “Parabéns para você” lá em cima. Eu sei porque isso aconteceu comigo. E foi lá em cima que tirei a foto que, para mim, é mais bonita da viagem toda, e você pode ver aqui.
Momento mágico: quando cheguei no topo do Sinai, já havia vários turistas. Era um confusão de línguas diferentes faladas ao mesmo tempo, todos esperando a mesma coisa: o sol. Uma faixa alaranjada já havia se formado no horizonte, e todos estavam em expectativa. De repente, uma luzinha luminosa foi surgindo...era o sol nascendo, devargarzinho, como se estivesse com vergonha de todas aquelas pessoas que estavam ali só para vê-lo. Foi mágico.
Eu voltei...pras coisas que eu deixei...pois é, eu tô de volta. Cansada, baqueada, com intestino revirado (depois eu conto essa), mas tô de volta. Nunca pensei que ficaria tão feliz ao ver o avião pousar no aeroporto de Vitória, ao comer feijão de novo, ao ouvir as pessoas falando português e poder pedir qualquer coisa sem ter que falar inglês. Viajar é muito bom, mas voltar para casa não tem preço! Não há lugar como o nosso lar...
Ô fim de semestre estressante. Para completar, essa semana veio um ofício da Juíza Diretora do Fórum, pedindo para apresentarmos, em três dias, cópias de inicias, temos de audiência, blá blá blá, etc em que atuou um tal advogado. O que o tal 'adevogado' fez eu não sei, só sei que tivemos que folhear todos os livros de ata de audiência (nada mais nada menos do que nove) para conseguir uma parte das informações, argh. E para completar a cereja do bolo, o que teremos semana que vem? Inspeção! Siiiim, Sua Excelência vai examinar cada um dos processos e mais os livros de registros. E eu que ia tirar ferias dia 10, acho que vou tirar só dia 14.
....hoje trabalhei dez horas. Meu horário são só seis horas por dia, então, se eu fizer as contas e considerar que durante o mês de junho eu trabalhei quase todos os dias de manhã, foram quase dois meses de labuta em um só. Que recorde.
...ah, mas eu nem contei que segunda foi dia de Meeting the parents. Os dele, claro. Almoçamos juntos, os quatro. Gostei da mãe dele à primeira vista, ela também gostou de mim e logo disse que houve uma empatia entre nós (e houve mesmo). Tava morrendo de medo de não gostar dela. Mas eu gostei. E foi engraçado porque ela disse assim: "Só não me chame de sogra por favor, porque esse termo é horrível. Eu não quero ganhar uma nora, quero ganhar uma amiga". Que bom. E como ela e minha mãe são parecidas, ao invés de exaltar as qualidades do filho, ela foi logo destrinchando os podres (que eu já conheço, afinal são cinco meses de convivência - e dois de namoro): é bagunceiro, não liga para roupas nem para sapatos, gosta de guardar papel velho, etc, etc. Ela adorou ver a casa dele arrumada - achou que tinha dedo meu na arrumação: tinha mesmo, e eu fiz questão de dizer que ele só deu jeito na bagunça de tanto que eu falei hihihihi. Mas, por outro lado, ele cozinha bem, gosta de cuidar da casa, fazer consertos, ir a supermercado, etc etc. Mas é claro que ela disse isso tudo com uma ponta de ironia, brincando. E já recebi convite para passar o fim de semana na casa deles, lá na serra. Que bom, que bom. Deu tudo certo.
...estou prestes a viajar e o dólar nunca esteve tão baixo desde 1990. Ah, Deus é bom.
Ei. Estou quase entrando de férias. Que bom, né? Que chique. E falando em chique, ganhei meu presente de aniversário. Adiantado, para se fosse necessário trocar. E foi, porque, segundo a vendedora, meu rosto é fino e os óculos ficaram largos. E troquei por outro tão lindinho e tão fashion - e mais caro - e meu amor nem se importou de pagar a diferença. Saiu da ótica feliz, feliz, sorrindo, me olhando e comentando como eu ia arrasar de óculos escuros hahaha. Ah sim, é um Vogue com alguns strass, discreto e delicado, liiindo de morrer.
Esse final de semestre está me dando nos nervos. Há um mês estou trabalhando também pela manhã, primeiro por conta do relatório da Corregedoria e, depois, para ajudar meu ex-Chefinho a organizar os processos dele na Intranet, agora, para organizar os meus, e, por fim, descobrimos que teremos que cadastrar TODOS os processos de Guarda e Adoção no SIGA - Sistema de Gerencimento da Adoção e Abrigamento. Além disso, descobri que tinho estourado o limite do cartão de crédito - felizmente, porque sou uma boa cliente e poupadora, conseguir um limite três vezes maior, o que me deixa tranqüila quanto aos gastos que terei na viagem, já que meu cartão é internacional. Mas como o cartão estava com problemas na tarja, tive que pedir outro, que felizmente chegou na sexta - mas os vigilantes de banco estão em greve e espero que isso acabe logo para eu pegar o cartão na agência. Afe.
...e estou bem. Ainda com meus dilemas, mas quando vejo a alegria nos olhos dele, quando vejo como ele está feliz, feliz (e ele é tão transparente que parece uma criança), percebo que isso é tudo tolice, e sei que está tudo bem, porque se o faço feliz (e ele me faz feliz) é porque tinha que ser assim.
...ah sim. Após 8 meses de espera, finalmente recebi o primeiro salário com os 40% a mais relativos à chefia. Agora só me falta receber os 40% dos meses anteriores, mas quando isso vai sair, só Deus sabe hihihi.
...preparativos da viagem: meu amor me emprestou a mala-gigante dele (à prova d'água, como ele gosta de alardear), que tem até chave; os óculos escuros ele me deu; comprei umas roupas; mas ainda falta a câmera digital e uma sandália confortável para andar bastante. Agora restam menos de 20 dias.
Ei. Quanto tempo, né? É que tenho andado atarefada por demais, vice? Nas duas últimas semanas trabalhei de manhã e à tarde. Nove, dez horas por dia. E no último domingo trabalhei das nove e meia da manhã até à sete e meia da noite. Tô parecendo Chefinho. Tudo por conta do relatório. Que entreguei já, ufa. Mas nas duas próximas semanas também trabalharei de manhã. Para ajudar o Chefinho. E depois...merecidas férias. Sem Paris. A Alitalia, que já está quase com o pé na cova e vai ficar ainda pior depois de dois de agosto, quando o governo italiano não vai mais poder ajudar com recursos financeiros, naõ confirmou a parada em Paris, depois veio com uma opção de parada em Roma e então desconfirmou tudo. Fazer o quê. Ainda não contei para o Neil.
...mas eu nem falei que o meu amor amou o presente de aniversário. Ficou todo, todo. Todo bobo. E que dia dos namorados gostoso, não? Como diz a Dani: "É tão bom ser feliz!"
...e eu nem contei que na sexta passada ele veio aqui em casa, minha irmã preparou um lanche, ele estava nervoso, coitado, mas se saiu bem, todos gostaram dele, beleza. E ontem foi o dia do namorado da minha irmã (alguém que já conhecemos de velhos tempos, mas tínhams perdido contato) se apresentar. Meu namorado roubou a cena, falou o tempo todo, monopolizou a mesa com minha mãe: os dois adoram uma platéia. E o namorado da minha irmã, que também é engraçado, espirituoso, quase não disse nada, ficou quietinho, só observando e soltando umas tiradas de vez em quando, fazendo a mesa toda rir. Mas minha irmã disse que ele estava tenso, e adorou tudo, e adorou o concunhado. Beleza.
...mamãe, que é uma das mulheres mais sábias que conheço e só diz a verdade: "Você e seu namorando são almas gêmeas. Vocês têm uma ligação, são entrosados, parecem que se conhecem há muito tempo". Eu (sem entender nada, já que eu e ele nem conversamos direito durante a noite ou demonstramos qualquer coisa): "Como assim, mãe? É uma coisa que não dá para explicar?" Ela: "É, não dá para explicar, mas há uma ligação entre vocês, por isso que as pessoas acham que vocês são irmãos, por causa dessa ligação. Vocês foram feitos um pro outro. É raro encontrar um casal assim." Eu: "E você e papai?" Ela (e papai por perto, ouvindo): "Eu e seu pai não somos almas gêmeas, somos insistentes!"
...e hoje de manhã, ela diz: "Ele (meu namorado) é uma pessoa muito especial." Ah, que bom. Que delícia ouvir isso. Mas eu não contei para ele hahahah.
...o Ministério Público me envergonha. Sai no jornal uma reportagem sobre a situação precária dos hospitais no estado, e é anunciada, para o jornal do dia seguinte, uma reportagem sobre "o que o MP está fazendo para solucionar a questão". No dia seguinte, comprei o jornal, ansiosa para saber sobre a atuação do parquet. E que decepção. O MPF, MP Estadual e MP do Trabalho entraram com uma ação civil pública exigindo do Estado leitos para todos os pacientes em 48 horas, sob pena de multa diária de sei lá quantos mil. Pelamordedeus, é óbvio ululante que é impossível cumprir isso. Como a Secretaria Estadual de Saúde vai criar não sei quantos leitos em 48 horas para tirar os doentes dos corredores? Brincadeira. Por que não entram com uma ação exigindo providências a curto, médio e longo prazo? Ou melhor, exigindo algo que é possível cumprir? Fala sério. Enquanto isso, o mesmo jornal mostra a situação dos taxistas, que têm que trabalhar 24 horas direto, para então folgar 24 horas. E cadê o MP do Trabalho que não age com relação a isso? Ah, sim. O MP do Trabalho está ocupado com o MPF e o MP Estadual em ações ridículas. Tá explicado.
...meu amor acaba de me mandar um foto torpedo. É a foto que tiramos hoje com o celular dele. Ah, "como é bom ser feliz!"
Sem querer, descobri o que ele vai me dar no aniversário. Foi engraçado...eu disse que ia comprar óculos de sol, que minha mãe dizia que eu tinha que comprar por isso e por aquilo, e ele disse: "Não compra não, Pri..." Eu: (sem entender) "Por que não?" Ele: "Porque não, porque você não usa mesmo, não precisa usar..." Eu: "Pois eu vou comprar sim..." E ficamos nessa enrolação até que ele disse: "Não compra não...porque eu comprei para vc..." Eu caí na gargalhada, claro. E ele com a carinha mais sem-graça do mundo. E depois me dizendo: "Ah, assim não vale, você já descobriu..." E eu: "Mas eu não vi como é..." Mas ele continuou fazendo uns muxoxos de vez em quando, claro, só para fazer um draminha hahaha.
...e sem querer, acabei descobrindo também o que ele vai me dar no dia dos namorados. Ele: "Ah, viu? Eu não consigo esconder nada de vc....isso é bom, viu?"
...e hoje saí para comprar o presente do aniversário dele, que faz 29 na próxima quinta. Ontem não deu porque ele ficou grudado em mim de manhã até a hora de ir embora para o interior. E na sexta, que não teve expediente por conta da dedetização no fórum (Má disse que vai espalhar uns ratos e umas baratas para ter dedetização toda semana hahaha) passamos o dia todo juntos, que bom...!
...Sua Excelência continua no meu pé, não esquece meu namoro por nada. E meu namorado morre de rir quando conto a ele as tiradas de Sua Excelência. Eu mereço hohoho.
...a semana promete. Vou trabalhar até pela manhã. Tudo por conta do levantamento de processos cujo relatório tem que ser entregue à Corregedoria até o dia 10. Como esse povo inventa moda, viu? Afe...
....e a vida segue. E tá tudo bem, ah, que bom. Graças a Deus.
É engraçado quando você começa a conhecer a outra pessoa. Eu já sei que ele não tem frescura com roupas, não é vaidoso. Acho isso ótimo, porque não consigo me imaginar com um homem que seja mais vaidoso que eu. E eu não me considero vaidosa. Em compensação, gosta de comprar coisas para casa: comprou um microondas (eu dei a idéia do suporte de parede, coisa que ele logo comprou e instalou) e um liquidificador: é o típico dono de casa. Exatamente do jeito que eu queria hahahaha. Gosta de cozinhar - ai que maravilha, e eu sou a cobaia. Não ligo de ser cobaia, melhor ser cobaia do que ter que pôr a mão na massa hahahaha. Gosta de frutas - e diz que eu deveria comer mais delas. Gosta de sair para comer e gosta de comer bem - o que é muito bom, já que eu também não como qualquer coisa. É bagunceiro - algum defeito ele tinha que ter, certo? Gosta de assistir a filmes - eu também, e assistimos a um toda semana. E apesar de ser um tagarela, é um pessoa fechada que só se abre aos poucos.
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Normalmente é a mocinha que só pensa em casamento. No nosso caso, ele mostra que quer casar comigo ao menos um vez toda semana. Essa semana aconteceu duas vezes: estávamos saindo da casa dele e caminhávamos abraçados sobre os blocos de pedra do quintal quando ele cantarolou um trecho da marcha nupcial, como se estivéssemos entrando (ou saindo) da Igreja. Eu tive que rir. Uns dias depois, ele me levava de volta para minha casa e comentava (eu tinha cochilado um pouco com a cabeça no colo dele): "Você tava tão bonita dormindo no meu colo...toda encolhidinha. Já pensou eu fazendo carinho em você toda noite para você dormir? Você ia gostar?" E por aí vai. Eu nunca disse que queria casar com ele ou coisa parecida. Mas na cabeça dele, já pensa nos filhos e etc. Eu? Eu estou amadurecendo a idéia...
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Não são poucas as vezes em que estamos juntos e ele fica me olhando e fazendo carinho no meu rosto, longamente. Não diz nada, só me olha e faz carinho por um longo tempo. Parece até que está em transe. Depois de um longo tempo ele diz alguma coisa. Essa semana ele disse, sério: "Você me faz tão feliz..." Ai, que responsabilidade, pensei. Ou então, ontem, no ônibus (já disse que vou escrever um carta ao Ministério dos Transportes porque é impossível namorar dentro um de ônibus nas estradas brasileiras, o que o fez cair na gargalhada): "Você é diferente de todas as outras garotas que conheci..." Eu: "Como assim?" Ele: "Seus gostos, seu jeito de ser...você é maravilhosa..."
Eu? Eu ainda estou em dúvida se acredito ou não em tudo que ele diz...
Meu amor me conta que mostrou para os pais as fotos que tiramos no casamento da estagiária do cartório onde ele trabalha. Assim, finalmente ele contou para eles que está namorando. Já não era sem tempo...o pai foi o primeiro a saber. Depois ele contou para a mãe, mas só porque senão ela ia ficar falando "ah, mas você não conta nada para mim, só conta para o seu pai, eu sou sempre a última a saber, blá blá blá..."
O pai: "Nossa, como ela é bonita! Quanto você vai trazê-la aqui para gente conhecer?"
A mãe: "Que legal! Que bonita! Traz ela aqui em casa que eu vou contar para ela todos os seus podres. Que você é bagunceiro, etc, etc..."
Eu: "Que você é bagunceiro? Mas isso ela não precisa dizer, eu já sei..."
Que delícia subir a serra e ir até a cidade natal do meu amor! Estava muito, muito, muito frio. E fomos à Pizzeria La Tavernetta, uma construção de dois andares toda de pedra, em estilo bastante rústico, uma graça. Ele: "Não repara na trilha sonora do lugar, é que ela depende do humor do dono. Quando ele tá bem ele coloca umas músicas italianas antiiiiigas, ou até umas mais modernas, tipo Laura Pausini. Mas se ele tá mal, ele põe rap..." Não sei qual o humor do proprietário ontem, só sei que só tocava músicas dos anos 80 e 90, nacionais e internacionais. Até "Get Here", de Oleta Adams, que é uma das minhas músicas preferidas, tocou ontem. Aliás, a seleção musical estava perfeita desse jeito. Tão perfeita quando a pizza, muito gostosa, e tão perfeita quanto estar com meu amor...
Aliás, uma coisa engraçada. Ele conhece o dono, um sujeito meio rechonchudinho e rosado com ar tímido que acenou para nós. Ele: "Você não reparou, mas quando eu cheguei com você, ele olhou para a mulher e os dois sorriram...é que eu sempre venho aqui com meus amigos, mas nunca trouxe uma mulher."
A cidade é pequena e pacata, típica cidade do interior. Pena que era de noite, e não dá para ver tudo com nitidez. A Igreja Católica é linda, toda em azul claro e escuro, e eu queria entrar, mas ele não ia gostar, então só olhei da porta. No altar, pinturas na parede e no teto, e duas imagens enormes, uma de São Francisco e outra de Santa Clara. Ah, que romântico hihihi.
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Ele me conta o que o atraiu em mim. "Sua inteligência. Não é todo mundo que estuda piano desde cedo, fala inglês e estuda alemão como você. Foi a primeira coisa que me fascinou, e aí eu descobri outras coisinhas que me fascinam até hoje..." Ele tinha me perguntado anteontem o que havia chamada minha atenção para ele, de primeira. Eu não soube responder. Mas ontem...ontem eu descobri. Foi quando ele apareceu aqui em casa, no primeiro encontro, com o dedo enrolado em papel higiênico porque tinha acabado de cortar com um copo que quebrou e sangrava muito. Eu achei-o muito simples, sem frescuras, afinal, um cara que tem coragem de aparecer num primeiro encontro num estado lastimável daquele, com o ar mais alegre do mundo, não pode ser um sujeito metido. Ele riu, ficou com vergonha e brincou: "Ah, Pri...foi por causa do papel higiênico?" Mas depois completou: "Não, estou brincando, eu entendi..."
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Às vezes ele me mete medo. Por quê? Nunca vi homem mais apaixonado. Às vezes eu penso se isso vai durar ou se de repente é um feitiço que acaba. Mas a cada dia que passa parece que aumenta. Ele diz que esperou por mim a vida toda. E me chama "minha princesinha". E eu sei que é verdade, porque ele me trata como tal, como algo muito, muito precioso. Mas às vezes eu tenho medo de que isso acabe de repente, ou tenho medo de descobrir que não é bem assim. Mas as coisas que acontecem, e as coisas que ele faz, sempre mostram o quanto ele gosta de mim. Talvez seja isso que me meta medo. Saber que alguém gosta tanto assim é...sei lá, é sinistro. Às vezes. Mas é bom.
Estávamos caminhando à noite, quando um carro passou e alguém gritou: "Quero ter ver amanhã cedo lá no Fórum!" Nós rimos e eu pensei quem poderia ser o chato. Pensei um pouco...Cristiano no carona, a voz, o carro...Sua Excelência! Ah, não! No dia seguinte, se ele estivesse de bom humor...e estava. Abriu a porta do cartório, usando os óculos escuros modernésimos que ele trouxe dos EUA, e começou a falar: "Mas como gosta de namorar na rua, né? Tava até olhando as estrelas...tava até com um sorriso no rosto...o que o amor não faz! O amor faz coisas que até Deus duvida! Fiquei tão emocionado que vou até compor um poesia hoje...!" Eu caí na gargalhada, claro. E as meninas também. E não ficou por aí. Por um acaso, acabei tendo o azar de encontrá-lo de novo na Secretaria: "Mas tem gente que gosta de namorar na rua...fica olhando as estrelas, as constelações..."
No dia seguinte, fui até a Sala de Audiências do JEC. Ele me olhou com um arzinho sapeca, um sorrisinho debochado e: "Veio ver o noivo? Já veio falar com o noivo? Você gosta de namorar, né?" E quando eu ia saindo, ainda despachou: "Depois a gente conversa mais, viu?" E não parou por aí. Meu namorado me contou que ele esteve na 2ª Cível, e lá, na frente da Juíza, começou a falar: "Tem um pessoal aqui que gosta de namorar na rua...mais especificamente aquele rapaz ali, ó. E a namorada dele é escrivã de um cartório aqui..." As meninas do cartório, que gostam de zoar, ajudaram: "Aqui não, o cartório dela é aquele lá do último corredor, a última porta..."
E Regi me conta que Sua Excelência contou para ela que foi zoar com meu namorado...pode uma coisa dessas? Que cara chato hahaha.
E esta semana, eu estava certa de que ele já tinha esquecido a história. Mas não, claro que não. Segunda-feira, ele entrou, eu estava rindo de um 'causo' que Cida contava, ele comentou: "Tá feliz? Tá rindo, né? Mulher quando tá namorando fica numa felicidade só, é só felicidade. Tá acontecendo a maior tempestade e ela diz: 'Olha amor, que linda a chuva!' Tá todo mundo morrendo afogado e ela fala: 'Olha, amor, vamos nadar!" Contei isso para meu namorado e ele caiu na gargalhada, claro. Eu mereço hahahaha.
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Aliás, sobre Sua Excelência...Chefinho me conta que ele ficou aborrecido com uns erros em processos. Nada grave, não era culpa minha, só umas etiquetas coladas no rodapé da página ou atrás de documento, coisas que eu tinha falado para as meninas que ele não queria, mas elas esqueceram. E Chefinho diz: "Olha, é porque ele gosta muito de você, ele tem muito carinho por você, porque senão..." Eu até achei que Sua Excelência ia falar alguma coisa comigo, me chamar atenção, mas que nada. Chegou contente, fazendo sinais de surfista (porque ele surfa, né), numa animação só, e nem tocou no assunto. Talvez Chefinho esteja certo. Acho que ele gosta mesmo de mim. Que bom ;)
Ontem à noite, eu estava na porta para ir embora, ele parou e disse: "Vem cá, vamos fazer um coisa que já deveríamos ter feito há muito tempo..." Eu não entendi: "O quê?" Ele, segurando minhas mãos: "Orar". E completou: "Se você não concordar, é só soltar as mãos". E então começou a orar. E disse coisas que o Senhor já tinha me dito há algum tempo, que eu sabia que eram as verdades de Deus, e não a mentira que contaram para ele. Não soltei as mãos. E quando ele terminou, me abraçou e eu perguntei: "O que aconteceu? E a revelação?" Ele: "Não está se confirmando no meu coração..."
...aí está. Quando o Senhor diz, Ele cumpre. Ontem se cumpriu uma das coisas que Deus já tinha me dito. É engraçado pensar que não me surpreendi ao ouvi-lo dizer tudo o que eu já sabia. Mas agora estou contente, estou feliz, porque, se há dois posts atrás, eu não tinha a mínima idéia do que se passava pela cabeça dele, não sabia se ele estava investindo em mim ou não, agora tenho certeza de que está. Agora nós dois temos certeza.
Sensação estranha. Eu estava decidida e ainda estou. Mas aconteceu tudo diferente...
...ele veio me pegar aqui para almoçarmos. Estava alegre, como sempre, alegre. Conversamos enquanto andamos pelo shopping. Ele, com o braço em volta da minha cintura, eu, braços soltos. Estava decidida, estava. Mas não ia dizer. Só queria mostrar.
...sentamos para tomar um café (eu, água), e ele disse: "Eu estava com saudade de você, Pri..." Eu, cética, brinquei: "Tava nada..." Ele ficou visivelmente triste e comentou: "Puxa, Pri, eu não minto..." Fiquei sem-graça, senti-me chateada, e não soube o que dizer. Ele pensou um pouco e comentou, tentando provar a veracidade do que havia dito: "Eu até liguei para você na quinta, só para ouvir sua voz..." Eu concordei, brincando, era verdade.
...na hora de almoçar, saí primeiro do restaurante e sentei-me à mesa. À minha frente, um rapaz almoçava. Ele me deu uma olhada, e depois vi a aliança de casamento em sua mão. Uns minutos depois, ele chegou. Alegre, agradeceu por tê-lo esperado. Uma moça, mulher do rapaz, apareceu e sentou-se. O rapaz parecia enfadado e emburrado. Algum tempo depois, eles se levantaram e ele saiu, de cara tão fechada que me fez pensar qual seria o motivo de tanto aborrecimento. Mas à minha frente, conversando e sorrindo, estava ele, alguém que, nesses dois meses e meio, nunca vi emburrado e acho que nunca verei, porque não parece ser da natureza dele ser assim. Quanta diferença! Fiquei tão contente por estar com ele e não com o outro!
...ele não desgrudou de mim, ao não ser na hora de almoçar. Mas, mesmo sentado, dava um jeito de segurar minha mão enquanto conversávamos. A mesa em que almoçamos era redonda e grande, e ele tinha que manter o braço esticado para segurar minha mão, do outro lado da mesa. Depois de um tempo de tagarelice, não sei porquê, tive vontade de sentar perto dele. Refleti durante algum tempo, não sabia por que queria, só sabia que se não o fizesse, o tempo ia passar, ia dar a hora de ele ir embora e eu ia ficar triste por não ter aproveitado a oportunidade.
...levantei-me e puxei a cadeira para sentar ao lado dele. Ele sorriu e disse: "Oba!", como se estivesse desejando isso todo o tempo, aproximou a cadeira e pôs o braço em volta de mim. Continuamos conversando, mas de repente minha mente deu branco e eu não sabia mais o que perguntar, embora soubesse, segundos antes, o que eu iria dizer. Ele perguntou, brincando e olhando para o palco à nossa frente: "Você vai tocar hoje ali, Pri?" Não respondi. Encostei a cabeça no ombro dele e fiz-lhe carinhos no rosto. Ele ficou quietinho, sem dizer nada, acariciava meu braço, em silêncio.
...permanecemos assim, silenciosos. De repente, senti-me triste, sem saber porquê. E então veio a pergunta fatal a me encarar: "Meu Deus, será que eu gosto dele...?" E ali, aninhada a ele, no meio do zunzunzum da praça de alimentação, de gente conversando e comendo, alheia a nós, tive a certeza de que, sim, eu gosto. Não sei porquê, não sei explicar, não consigo entender. Mas aí está.
...enquanto permaneci nos braços dele, percebi-me sorrindo em certos momentos, sem saber porquê. E lembrei-me das vezes em que estávamos juntos, em silêncio, e ele de repente sorria, e eu imaginava o motivo. Houve vezes em que perguntei, baixinho: "Em que está pensando?", mas ele apenas balançava a cabeça, em negativa, ainda sorrindo, sem responder. E ali, naquele momento, tive certeza de que a razão pela qual sorrimos é a mesma: sabemos que gostamos um do outro e estamos felizes porque podemos estar juntos.
...pelo vidro, ele vigiava o tempo. Começou a chover de leve e depois parou. Ele comentou, aliviado: "Olha, parou de chover..." Eu, ainda aninhada, comentei, brincando: "Alguém lá em cima gosta de você..." Ele respondeu, suave: "Graças a Deus, graças a Deus tem Alguém lá em cima que gosta de mim..." e perguntou, aproveitando a deixa: "E tem alguém aqui que gosta de mim...?" Eu, agora certa do que dizia, respondi: "Tem..." E ele, me abraçando, confiante: "Que bom. Eu também gosto muito de você..."
...foi surpreendente olhar o rosto dele quando finalmente ergui a cabeça só para dizer: "Você ficou tão quietinho por tanto tempo..." Ele me olhava sorrindo, com um olhar encantado, os olhos cor-de-oliva brilhantes, como se ele também, de repente, tivesse descoberto que gosto dele.
Eu sou muito desconfiada. É um dos meus defeitos. E desconfiava dele também. Mas hoje...não sei. Foi diferente. Eu estava tão decidida e observava todos os atos dele de forma tão isenta, que tudo o que consegui, ao invés de confirmar meus medos, foi exatamente o contrário: espantá-los. Não sei se é algo definitivo. Não sei se foi só hoje. Mas hoje, ao menos hoje...algo diferente aconteceu. Pode ser que dure. Pode ser que na semana que vem eu volte a nadar no meu mar pessoal de desconfiança. Ou não.
Decidi que não quero mais essa relação de meio amizade-meio namoro. Sim, não nos beijamos mais, mas sabe aquela coisa de andar de braços dados ou abraçados, de assistir filme juntinho um do outro, dos beijinhos e dos carinhos? Não quero mais. Vai doer mais em mim do que nele, mas...
1) Eu preciso ter certeza do que eu quero. Preciso ter certeza do que existe na nossa relação além da atração física. Preciso ter certeza de que ele é alguém com quem eu gosto de estar, de conversar, de conviver, independentemente de carinhos e beijinhos. Preciso ter certeza de que ele é alguém que vale a pena ter como amigo. Porque, se for, então vai valer a pena ter como namorado, marido, etc. se for o caso;
2) Se ele gostar mesmo de mim, vai aceitar ter uma relação de amizade normal, e não essa "coisa-cujo-nome-não-sei";
3) Na quarta-feira, quando assistimos a filme juntos, fiquei pensando que não tenho a mínima idéia do que se passa pela cabeça dele. Não sei se ele pensa que está investindo em mim, ou se sou só algo passageiro. Não tenho certeza do que ele quer. E se não tenho certeza do que ele quer, não quero me passar por pseudo-amiga-namorada. Não quero pensar depois que fui apensas usada. Okay, okay...eu também posso estar usando-o, não posso? Mas também não quero isso;
4) Não dá nem para nomear nossa atual relação. E não quero estar no meio de algo que não sei rotular;
5) Quando penso na nossa relação, cogito: aonde isso vai parar? Eu não sei. E não estou a fim de pagar para ver;
6) Não quero mais aquela sensação de "estou flutuando porque estou namorando" simplesmente porque não estou namorando! Não somos namorados, não temos compromisso algum um com o outro, somos completamente livres. E é assim que quero sentir. Estou livre para namorar quem eu quiser e ponto;
7) Quero colocar meus pés no chão de novo. Tenho coisas para organizar, para estudar, uma vida para tocar. Chega daquela coisa de "não há mais nada no mundo além dele". Há sim. Há minha vida, que é valiosa e importante.
Pronto. Estou decidida. E quando eu decido...não tem jeito. Aliás, ele já disse que tenho um gênio forte, que quando ponho uma coisa na cabeça, não há quem tire. Pois é. Já decidi e não vou mudar de opinião.
Semana engraçada. Teremos curso no Tribunal ainda este mês - Ma ficou toda assanhada para ir, acabou que vamos as três: eu, ela e Regi. Sua Excelência disse a Regi que gosta de mim, que sou bacana e competente e Regi, claro, tinha que me contar. Sua Excelência veio me mostrar o i-phone que comprou nos EUA: 16 giga de memória, arquivos com show e seriados de tv, imagem fantástica, um show. Sua Excelência implica comigo dizendo que vivo no banheiro e vai mandar construir um banheiro dentro do cartório só para mim: quem manda beber tanta água?
Trabalho, trabalho, trabalho. Tenho que anotar as trocentas coisas que tenho que fazer, se não, esqueço. Pilhas de processos para conferir, serviços de última hora, audiências para redesignar porque o Promotor vai viajar, desarquivar processos para preencher as fichas que tenho que levar para o curso - Pablito, da sua Vara, quem é que vai?
...e nós estamos bem. Estamos bem, graças a Deus. É estranho perceber que, sem querer e sem notar, estamos namorando. Sem beijos, mas estamos namorando. Ontem à noite - eu na capital, ele, no interior - nos falamos por telefone.Liguei porque a resposta à mensagem SMS que ele tinha me mandado não chegou, fiquei meio preocupada de ele achar que eu não tinha dado importância, liguei. Ele, feliz, feliz, rindo, rindo, contente porque eu tinha ligado ("puxa, que bom ouvir sua voz, muito melhor que mensagem pelo celular..."), fazendo muxoxo porque eu não estava com ele, brincando, sempre brincando. E no meio da conversa, falando sobre mim como se eu fosse uma terceira pessoa (que eu deveria conhecer), disse: "ela é gentil, bonita, sensível..." Ah, que fofo. Mas mais fofo foi em outro trecho, dizendo não sei o quê: "imagina se eu ia deixar a minha Pri?" "Minha Pri". Agora não sou mais Pri de ninguém. Agora sou a Pri dele. Amazing.
...engordamos por volta de um quilo, cada um. Argh. Eu achava que tinha sido só eu. Ele achava que tinha sido só ele. Um serve de consolo para o outro, claro. Mas também, toda vez que a gente se junta é para comer, afe. Minha mãe, irônica: "Vocês não andaram fazendo coisa errada não, né?" Não, mãe. Até parece que ela não sabe quem me educou...
...vida que segue. Estou tranqüila. Ao menos, estou tranqüila.
Um dia inteiro juntos. Treze horas e meia, para ser mais exata. Batemos nosso recorde. Saímos de manhã do interior com destino à capital, de carro, ele brincando toda vez que travava a portas, dizendo que não ia me deixar fugir.
...foi engraçado porque aonde íamos, as pessoas achavam que éramos casados. Ele conversou com uma representante da Sky em um supermercado. A moça falou conosco como se estivéssemos juntos. Ele pegou as informações e quando ia saindo, empurrando o carrinho, disse alegremente à representante: "Eu vou conversar com a patroa em casa (olhando para mim) e então eu te ligo". Eu imediatamente apertei o braço dele, sem acreditar no que ele tinha dito, e ele ria, contente com a brincadeira. Mas não parou por aí. Enquanto descíamos a escada rolante, ele, alegre, continuou: "Puxa, mô, mas eu queria tanto a Sky...deixa eu colocar a Sky...se você não deixar, aí quando a moça ligar eu vou dizer 'meu amor não deixou', e se ela pedir para falar com você, eu vou dizer 'liga ao meia-dia que você vai poder falar com ela' (porque o expediente começa ao meio-dia, claro). Eu olhava para ele sem querer rir, porque eu estava brava, e ele se divertia: "Puxa, mas é para a gente ir se acostumando..." e continuou, rindo: "A moça deve ter achado que você era doida..." Afinal, porque a "patroa" iria apertar o braço do marido só porque ele a chamou de "patroa"?
...quando fomos à concessionária, a vendedora disse alguma coisa sobre mim, que eu não ouvi direito, e ele replicou, alegre: "Ah, mas se deixar por conta dela, ela vai querer aquele ali, ó!" O "aquele ali ó" era um carro muito mais caro do que o que ele pretendia comprar. A moça riu, se levantou, nós fomos atrás e eu apertei o braço dele, sem querer rir, e ele olhava para mim, com o ar mais divertido do mundo. Quando nos despedimos da vendedora, a moça, animada, comentou: "Qualquer coisa, é só vocês ligarem para mim, que eu preparo o contrato para vocês assinarem..." cumprimentou a nós dois e saímos. Ele comentou, alegre: "Todo mundo acha que a gente é casado!" E eu, ainda brava, mas achando engraçado: "E você ainda dá corda!", o que o fez rir, divertido. Voltamos para o carro (ele estava com o carro do pai), e ele continou bricando: "Puxa, mô, me ajuda a pagar o carro? Hein? Você me ajuda a pagar o carro, mô?" Eu não queria rir, mas também não podia brigar, e ele se divertia com meu ar engraçado-zangado.
...foi engraçado vê-lo comentar, ainda no início da viagem: "Eu dormi a noite toda com o seu cheirinho!" Na noite anteriror, eu tinha ido à casa dele para assistirmos a um filme e, pelo que entendi, o perfume do hidratante que uso (Creme de Morango, da Natura) acabou ficando no cômodo. "Eu já não consigo parar de pensar em você", ele continuou, alegre, "aí o seu cheirinho ainda fica lá em casa, assim não dá..." E continuou, sorrindo: " Parecia que você tava do meu lado..." Eu não disse nada, mas pensei: "É, se a gente se casar, você vai me ter dormindo ao seu lado..." e apenas disse: "É um hidratante da Natura..." Ele: "É? É gostoso...me faz lembrar você..."
...fomos almoçar num restaurante num shopping pequeno da capital. Lá pelas tantas, eu falei que já tinha pensado em fazer escova progressiva no cabelo, e ele comentou: "Ah, mas o seu cabelo é lindo, eu acho lindo, parece cabelo de boneca. O cabelo é que o seu charme..." e continuou: "os lábios também..." Aiii, que vergonha, alguém me arranja um buraco para eu me enfiar? Mas aí ele disse: "E eu, deixar eu ver...ah, melhor deixar pra lá..." Hein? Melhor deixar para lá? Ele nem imagina que eu acho ele liiiindo, liiiindo, liiiindo. Ele já é bonito, mas eu acho que ele não tem alta estima suficiente para ver isso. E eu o acho liiiiindo, adoro aqueles olhos cor-de-oliva, mas na hora não tive coragem de dizer, fiquei com vergonha...
...passeamos no shopping, sempre de braços dados. Ou ele me dava o braço, ou abria o braço para eu dar o meu a ele. Engraçado isso. Namorados andam de mãos dadas. Não somos namorados, não andamos de mãos dadas. Mas como ele quer ficar pertinho de mim, me dá o braço. Problema resolvido.
...ele parou em frente à uma joalheria, bem em frente às alianças. Aiii, para que parar aqui? Ficou olhando e apontou um anel de ouro branco, com um diamante encravado e comentou: "Eu acho bonito aquele ali". Era lindo. Lindo, lindo, lindo. O tipo de anel de noivado que eu a-m-a-r-i-a ganhar.
..fomos assistir a "Sangue Negro" com Daniel Day-Lewis. É um filme árido, seco e triste sobre um homem árido, seco e triste, com uma trilha sonora árida, seca e triste. Ele não gostou, mas eu entendi o espírito da obra. Não é um filme divertido, não é bonito, não provoca emoções boas. Daniel Day-Lewis interpreta (de forma brilhante) um homem rude, apenas interessado em enriquecer. Não se pode dizer que ele seja mau ou perverso. Ele tem amor ao filho e algum senso de justiça, mas algo o atormenta por dentro, alguma coisa que o impede de ser feliz, de ver a vida com brilho, cor, amor, alegria. Não terminamos de ver, a sessão começou às 6 e 20, eram 9 e 15 não havia acabado ainda, e ele estava com medo de que meus pais estivessem preocupados. Fui embora curiosa, doida para saber o final. Foi engraçada a reação dele, tristonha: "Ah, Pri, você queria ver o final? Então vamos voltar..." Eu: "Não, não, vamos, não tem importância..." Ele: "Puxa, agora estou me sentindo duplamente culpado...porque escolhi aquele filme horrível, e porque saímos antes do final..." Eu, carinhosa: "Não, não liga para isso, não..."
...para encerrar a noite de um jeito alegre, depois do fiasco (para ele foi um fiasco, mas o filme é interessante), eu comentei: "Eu queria mesmo agora era o petit gateau..." No início do dia, ele tinha dito que a gente poderia ir comer petit gateau ou ir à churrascaria. Mas àquela hora estava tarde, eu não tinha a menor vontade de comer carne, e terminar a noite tomando sorvete parecia perfeito. Apesar de achar que deveria me levar para casa, ele fez o retorno e fomos à La Basque. Reparei que ele tinha um ar meio tenso, um pouco triste e perguntei: "Você tá parecendo preocupado..." Ele: "É que agora estou pensando nos seus pais, eles devem estar preocupados, porque você não tem costume de chegar tarde em casa assim..." A preocupação dele não tinha sentido, porque antes de irmos a sorveteria, na saída do shopping, eu liguei para casa e falei com papai. Assim, no fundo, acho que o medo dele era o que meus pais iriam pensar dele...o que aliás, ele tinha evidenciado quando comentou, brincando: "Seus pais vão dizer 'quem é esse menino?!" Ele estava mesmo tenso, e perguntou: "Será que não seria melhor eu subir e fala com eles e pedir descupas?" Eu sabia que não tinha a menor necessidade, mas só para deixá-lo aliviado, concordei.
...eu nunca tinha provado petit gateau. Sabe aquele tipo de coisa que você já teve oportunidade de experimentar, mas sabe que só deve fazê-lo se for num dia especial com uma pessoa especial? Assim foi com essa iguaria. O engraçado é que, há umas duas semanas, eu e minha irmã estivemos numa sorveteria italiana, ela pediu um café, eu, um sorvete, e naquele dia, naquele mesa, eu pensei: "Petit gateau é o tipo de coisa que só vale a pena experimentar se for numa ocasião especial..." Pois bem, aconteceu. Ontem à noite era para o ser o dia do petit gateau. E lá estava eu, com um homem especial, preocupadíssimo com o que meus pais pensariam dele, com um arzinho meio tristonho que depois sumiu (embora a preocupação ainda estivesse ali, nos olhos cor-de-oliva) e eu, satisfeita com meu sorvete de menta e brownie de chocolate, certa de que aquele era o dia marcado para isso. E foi lindo quando o vendedor ofereceu a ele umas flores e ele respondeu, amável: "Não, obrigada, eu já tenho uma flor e é a mais bonita..." Eu fingi que não ouvi, não olhei para ele, mas que mulher não sente maravilhosa ouvindo isso? É...era mesmo o dia do petit gateau.
...saímos da sorveteria, e na parada para esperar o sinal abrir para pedestres, dei o braço a ele e comentei (não contei que nunca tinha provado o doce): "Eu adorei o petit gateau..." e ele, encostando a cabeça no meu ombro: "e eu adorei sua companhia..."
...o moço corajoso que queira pedir desculpas aos meus pais desapareceu quando chegamos em frente ao edifício. Ele: "Ai, Pri, agora eu já não sei se é melhor eu subir ou ir embora..." Eu: "Ah, agora que você já está aqui, vamos subir..." Abri a porta da cozinha, entrei e fechei, dizendo a ele para esperar que eu abriria a porta da sala. Em casa, ninguém estava decentemente vestido. Pedi a papai para trocar de roupa rápido, só para falar com ele. Voltei, abri a porta para ele, que entrou, sem-graça, segurando minha mala com ar indefeso. Voltei. Papai ainda vestia a camisa, lentamente. Apressei-o e voltei à sala. Eu tinha esquecida a porta aberta, mas ele tinha fechado, e estava no meio da sala, em pé, com minha mala ainda na mão e ar de criança que fez coisa errada e estava com medo de levar bronca. Tirei a mala da mão dele e coloquei no sofá. Papai apareceu, e ele o cumprimento com o conhecido "a paz do Senhor" do assembleianos, cheio de nervosismo. Pediu descupas, que papai recebeu com ar sem-graça, dizendo que estava tudo bem, que eu tinha ligado e não tinha problema. Mamãe e minha irmã trocaram o "mulambo só" pelo "filó filó" e também foram à sala para falar com ele, que as cumprimentou nervoso e ansioso. Mamãe ofereceu a ele empadão de frango que ela tinha acabo de fazer, mas ele agradeceu e recusou. Perguntou a papai como fazer para voltar à capital e se despediu. Entramos no corredor do prédio, ele com um sorriso de vergonha mais lindo do mundo. Abracei-o: "Adorei passar o dia com você..." Ele: "Eu também, a gente tem que fazer isso outras vezes, mas da próxima vez, vamos voltar mais cedo..."
...mamãe: "Eu gostei dele". Fez um comentário sobre os dois lados do rosto serem diferentes (típico comentário de psicanalista), e quando contei a ela que todo mundo achava que éramos casados, ela disse: "É porque vocês têm química." E continuou: "Formam um casal bonito. Na verdade, parece que vocês são irmãos..." Disse a ela que Regi tinha falado a mesma há algum tempo, e ela explicou: "É como você e sua irmã...vocês são diferentes, mas as pessas sabem que vocês são irmãs porque as fisionomias se confudem. Se a gente for reparar vocês dois, vocês não tem nada a ver um com o outro, mas quando a gente olha, as fisionomias se confudem, até o sorriso é parecido..." Ouvir isso de mamãe, que tinha tomado horror a ele quando soube que ele tinha terminado comigo por causa de uma revelação, me deixou contente. Aliás, minha irmã me contou que quando mamãe soube que ele estava na sala, ela disse, surpresa: "É...até que ele é responsável, né?"
...no final da noite, uma mensagem SMS: "Pri, que vergonha. Mas foi importante, porque seus pais estavam preocupados. Amei passar o dia com você, temos que fazer isso novamente. Você é muito especial". Respondi: "Meus pais gostaram de você :) Também adorei passar o dia com você, foi tão bom! Temos que tirar mais abonos rs. Beijos e boa noite".
...hoje de manhã, lá vem papai: "Pri, com é mesmo o nome do seu amigo?" Respondi. Ele: "Que nome estranho..." Eu: "É um nome italiano, pai." Ele: "Ele trabalha no Fórum?" Eu: "Trabalha." Ele: Mas tem muito tempo? "Eu: "Não, ele chegou em dezembro..." Ele: "Ele é novato?" (Papai é lento...) Eu: "É, pai, ele chegou em dezembro. Ele passou no mesmo concurso que eu, mas só foi chamado em dezembro." Ele: "Ele é evangélico? Eu: "É, da Assembléia." Sei não. Começo a achar que papai gostou dele. Achei que ia parar por aí, mas ele continuou: "Ele tava todo nervoso...por que ele tava nervoso daquele jeito?" Eu: "Porque ele tava chateado, pai, porque ele estava me trazendo para casa tarde..." Ele: "Ele tava todo vermelho..." Eu: "É porque ele tava nervoso..." Sei não. Papai ficou muito curioso e muito interessado. O mais esquisito é que...quando vi os dois conversando, parecia mais que eles se conheciam há um tempão. E olha que foi só uns minutinhos. Sei lá...parece que teve uma química entre os dois, não sei. Foi uma daquelas coisas esquisitas que a gente sente às vezes.
Pois é, estamos amigos. Sem beijar na boca. Na semana retrasada, por duas vezes, em dois dias diferentes, ele tentou uma aproximação. Eu permaneci impassível, não disse nada, mas não me aproximei. Ele entendeu e não ficou irritado ou chateado, continuou alegre e animado. Eu tenho que me valorizar. Se me quer como amiga, então vamos ser amigos, sem beijo na boca. Na semana passada, estivemos juntos novamente e ele não tentou nada. Compreendeu e aceitou. Melhor assim. Eu gosto dele, ele gosta de mim, sabemos disso, estamos bem. Na verdade, pela primeira vez, percebi que essa revelação que o fez terminar comigo foi uma coisa boa. Hoje de manhã tive a certeza de que Deus está nos protegendo. Nos protegendo de nós mesmos, da atração que sentimos, da química entre nós, da situação em que estamos vivendo. Pela primeira vez O percebi nos olhando com o cantinho dos olhos. Ele sabe o que faz. E faz tudo perfeito.
A noite em que faríamos um mês se estivéssemos juntos acabou sendo especial. Ele esteve aqui e conversamos (sem recaídas e beijos, felizmente - ou infelizmente, sei lá...) durante algumas horas sobre tanta coisa! O que mais me surpreende é que, quanto mais converso e convivo com ele, mais percebo como ele é igual a mim. Temos um coração semelhante, reagimos da mesma forma às mesmas coisas, e ontem descobri que temos as mesmas opiniões sobre certos aspectos religiosos, comportamentais e até políticos. Assistimos a um trecho de um telejornal, e toda vez que ele fazia um comentário eu me surpreendia, porque, sem que eu tivesse omitido qualquer opinião, ele dizia exatamente o que eu mesma penso sobre aquele assunto.
Uma vez Regi disse que nós dois somos almas gêmeas. Na época eu achei o comentário bobo, mas quanto mais percebo, mais penso que é verdade. É impossível que alguém seja tão parecido comigo! Só um caso: não sei porquê, eu comecei a implicar com ele, imitando voz de gente da roça e dizendo coisas que "eu" fazia, como ir a cachoeiras ou andar de bicicleta, que, no fundo, são coisas que ele fazia, quando criança, na sua cidade natal. Ele esperou quietinho até que terminasse, e aí começou a falar das características ruins da cidade como se fossem coisas boas, como trânsito maluco, poluição e tal. Estava na cara que era um vingancinha por conta da minha implicância. Eu olhava para ele, querendo rir e sabendo que, se ainda estivéssemos namorando, eu o abraçaria e brincaria, dizendo: "Ah, ele tá fazendo vingancinha? É uma revanche, é?" Mas eu não podia fazer nada. E, ao mesmo tempo em que tinha vontade de rir, porque estava achando a revanche dele engraçada, sentia um coisa estranha dentro de mim. Então ele terminou de falar e disse, num outro tom, sério: "Não, eu estou brincando. Todas as cidades têm características boas e ruins." Eu permaneci quieta e ele continuou: "Puxa, agora eu fiquei triste com o clima chato que ficou...." Eu não disse nada, ficamos quietos por uns instantes e ele acabou mudando de assunto. Só então eu entendi o que tinha acontecido: a coisa estranha dentro de mim era tristeza porque tê-lo chateado com a minha implicância. E ele acabou confessando sua tristeza por me chatear com a revanche. Agora me diz, como duas pessoas podem ser tão iguais?